O PERIGO DE SE COMPARAR ATÉ NA HORA DE SE VESTIR | #revestir
O PERIGO DE SE COMPARAR ATÉ NA HORA DE SE VESTIR | #revestir
Existe uma frase que gosto muito e que acredito que se encaixa perfeitamente no universo da moda: não compare os seus bastidores com a passarela de outra pessoa.
Pense comigo: quantas vezes você já olhou para outra mulher, admirou suas roupas, seu estilo, sua aparência e, quase que automaticamente, começou a questionar as próprias escolhas?
Talvez você tenha pensado que gostaria de ter aquele guarda-roupa, usar aquelas peças ou conseguir montar produções tão interessantes quanto as dela.
Mas existe um detalhe que frequentemente esquecemos: nós conhecemos os nossos bastidores, mas, na maioria das vezes, só enxergamos a passarela do outro.
Conhecemos nossas dificuldades, inseguranças, limitações, dúvidas e tudo aquilo que ainda estamos tentando desenvolver. Do outro lado, vemos apenas o resultado: a roupa pronta, a fotografia bonita, a produção bem elaborada e a imagem que aquela pessoa escolheu apresentar.
E é justamente aí que mora o perigo da comparação.
Compare-se com quem você foi, não com quem o outro é.
Uma das coisas mais interessantes que aprendi sobre comparação é que olhar para nós mesmas pode ser um exercício muito saudável de autorreflexão.
Como eu estava há dez anos? E há cinco? Como eu me comportava no ano passado? O que mudou na minha maneira de pensar, agir e me posicionar?
Olhar para a nossa própria trajetória nos permite reconhecer processos, amadurecimento e evolução. Não precisamos estar exatamente onde gostaríamos, mas podemos perceber o quanto já caminhamos.
O problema começa quando usamos a trajetória de outra pessoa como régua para medir a nossa.
Existe aquele velho ditado de que a grama do vizinho sempre parece mais verde. Mas o que não vemos são os bastidores daquela grama: o trabalho, as dificuldades, as escolhas e os processos que aconteceram antes de chegarmos ao resultado que admiramos.
Por isso, comparar a nossa realidade com aquilo que conhecemos apenas superficialmente sobre a vida de alguém é uma conta injusta desde o princípio.
Seu estilo não precisa ser igual ao de ninguém.
Agora, vamos trazer essa conversa para o universo da moda.
Como fashion stylist, uma das coisas que mais defendo é que estilo é comunicação. Nossas roupas transmitem mensagens, expressam personalidade e ajudam a construir nossa imagem pessoal.
E se cada pessoa tem uma identidade, uma história e uma mensagem que deseja comunicar, por que deveríamos esperar que todas se vestissem da mesma maneira?
Além disso, existe um aspecto técnico que não podemos ignorar: as características individuais de cada corpo.
Na consultoria de imagem, estudamos proporções, silhuetas, caimentos, volumes e diferentes elementos que influenciam a construção de uma composição visual. Uma peça pode funcionar muito bem em determinada pessoa e produzir outro resultado em alguém com características diferentes.
Isso não significa que existam corpos certos ou errados para determinadas roupas. Significa que conhecer nossas características nos ajuda a fazer escolhas mais conscientes e intencionais.
No meu caso, por exemplo, tenho algumas particularidades em relação ao busto e ao quadril que considero na hora de escolher decotes, comprimentos e modelagens. Quando penso na minha comunicação visual e na modéstia que desejo preservar, algumas escolhas simplesmente deixam de fazer sentido para mim.
E tudo bem!
Existem peças que admiro, tendências que acho lindas e produções que salvaria facilmente como referência, mas que não necessariamente funcionariam para a imagem que desejo construir.
A questão não é deixar de usar algo porque outra pessoa não usaria, nem estabelecer regras universais sobre o que cada mulher pode ou não vestir. É entender que nossas escolhas precisam conversar com nossa realidade, nossos valores e nossa identidade.
A inspiração não pode se transformar em cópia
Esse é outro perigo muito comum, especialmente quando acompanhamos mulheres que admiramos.
Podemos gostar do estilo de uma cantora, influenciadora, atriz ou até mesmo de uma amiga. Podemos acompanhar suas produções, salvar referências e nos inspirar em suas combinações.
Pense, por exemplo, em uma cantora como Gabriela Rocha. Ela possui uma identidade visual própria, construída a partir de suas preferências, personalidade e escolhas. Aquilo que faz sentido para ela não precisa, necessariamente, fazer sentido para todas as mulheres que a acompanham.
E isso vale para qualquer pessoa que admiramos.
Não sabemos todos os critérios por trás das escolhas de alguém, muito menos precisamos reproduzir essas escolhas para construir uma imagem interessante.
Existe uma diferença enorme entre admirar e imitar.
A inspiração amplia nosso repertório. A cópia pode nos afastar daquilo que somos.
Por isso, acredito que podemos acompanhar tendências, revistas, blogs, criadores de conteúdo e referências de moda sem abrir mão da nossa identidade. Inclusive, como criadora de conteúdo, também desejo inspirar outras mulheres. Mas essa inspiração precisa ser um ponto de partida, nunca uma obrigação de reproduzir o que apresento.
Nem tudo que admiramos precisa fazer parte da nossa caminhada.
Existe uma passagem bíblica em que Jesus fala sobre tomar a própria cruz e segui-lo (Lucas 9:23).
Embora o contexto seja o discipulado e não a moda, gosto de trazer uma reflexão sobre responsabilidade e individualidade a partir desse princípio: cada uma de nós precisa viver sua própria caminhada com Cristo.
Não podemos terceirizar nossas escolhas, nossa consciência ou nosso relacionamento com Deus.
Na construção do estilo, isso também exige maturidade. Existem tendências que podemos adaptar, peças que podemos experimentar e referências que podemos reinterpretar. Mas também existem momentos em que precisamos reconhecer que determinada escolha não combina com aquilo que estamos construindo.
Às vezes, vamos abrir mão de uma peça por causa da modelagem. Em outras ocasiões, por causa da mensagem que ela comunica ou simplesmente porque não representa nossa personalidade.
E outra mulher pode fazer uma escolha completamente diferente, sem que isso signifique que uma esteja mais certa do que a outra.
Não estamos salvando o mundo com nossas roupas! É possível experimentar, brincar com a moda e até mudar de opinião. O importante é que nossas escolhas sejam conscientes, e não conduzidas pela necessidade de sermos iguais a alguém.
A inspiração sempre deve passar pelo filtro da identidade!
Eu não quero que você deixe de admirar outras mulheres, acompanhar tendências ou buscar referências. Pelo contrário! A moda é um universo criativo, cheio de possibilidades, e conhecer diferentes propostas pode enriquecer muito nosso repertório visual.
Mas quero deixar um convite: antes de reproduzir uma tendência ou desejar uma peça porque ficou linda em outra pessoa, pergunte-se:
Isso conversa com quem eu sou? Essa escolha representa a mensagem que desejo transmitir? Faz sentido para a minha realidade e para os valores que carrego?
Acredito que o processo de descobrir e amadurecer nosso estilo também envolve aprender a dizer sim e não. Não por insegurança, comparação ou medo de não acompanhar os outros, mas por consciência.
Em Colossenses 3:12–14, Paulo nos convida a nos revestirmos de virtudes como compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. É uma passagem que nos lembra de que existe um revestimento muito mais profundo do que aquele que construímos diante do espelho.
Que a nossa busca por uma imagem pessoal intencional nunca nos faça esquecer da identidade que temos em Cristo.
Admire, inspire-se, experimente e descubra novas possibilidades. Mas não se perca tentando vestir a história de outra pessoa.
Não compare seus bastidores com a passarela do outro. Construa sua própria trajetória, respeite seus processos e permita que seu estilo seja uma expressão de quem você é.
Das vestes ao revestir: estilo com propósito.
Com carinho,



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